O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o prefeito de Guanhães, Evandro Lott (Republicanos), por ameaçar de morte e perseguir a ex-companheira com quem manteve relacionamento por quase 13 anos. Por determinação judicial ele foi afastado do cargo e está preso preventivamente desde 1º de abril. A acusação formal inclui ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse de arma de fogo.

Segundo a denúncia, o prefeito teria usado servidores subordinados e um drone para monitorar os passos da vítima, além de enviar por aplicativo a imagem de uma arma. Em gravações citadas pelo MPMG, Lott afirmaria que não aceitaria a separação, prometendo “reconquistá-la” e declarando que “ela não seria de mais ninguém”; em outro momento teria dito que, ao supor uma traição, “teve vontade de matá-la”. Testemunhas relatam ainda ameaças de contratar terceiros para cometer o crime.

O MPMG pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva e requereu o desmembramento das investigações para apurar outros possíveis crimes: tentativa de feminicídio, adulteração de sinal identificador de veículo, crimes contra a administração pública — como a chamada ‘rachadinha’ — abuso de autoridade e uso indevido de bens e serviços do município. Em buscas foram apreendidas armas: um revólver calibre .38 em um cofre no quarto do denunciado e uma espingarda calibre .36 em propriedade rural vinculada a ele.

Na avaliação do parquet, há indicativos de periculosidade e utilização do poder político e econômico para coagir testemunhas, manipular provas e obstruir a apuração. Para o órgão, o padrão de conduta configuraria um regime de “cárcere psicológico”, com vigilância constante, coação e controle sobre a vítima — elementos que embasam o pedido de manutenção da custódia cautelar.

Além das consequências penais, o caso tem repercussão política e administrativa em Guanhães: o afastamento do chefe do Executivo interroga a governabilidade local e levanta dúvidas sobre o uso de recursos públicos para fins pessoais. Com o desdobramento das investigações, o município e o partido do prefeito poderão enfrentar custos políticos e institucionais, enquanto a Justiça decide os próximos passos e a proteção à vítima segue como prioridade.