O anúncio de uma sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocou reação imediata de pré-candidatos à Presidência nesta quinta-feira (16/7). Governadores e nomes da oposição criticaram a medida estrangeira e, ao mesmo tempo, cobraram uma resposta mais articulada do Palácio do Planalto, apontando falhas na condução política e diplomática do episódio.

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, classificou a decisão como protecionista e ressaltou que ela prejudica a competitividade das empresas brasileiras em um mercado — o norte-americano — considerado estratégico para os exportadores. O pré-candidato atribuiu parte do problema à condução do governo federal, dizendo que atritos e tom eleitoreiro nas negociações contribuíram para a escalada da crise.

Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, também manifestou indignação e enfatizou que a sobretaxa atingirá mais de 4 mil itens, com efeito direto sobre trabalhadores e produtores. Caiado criticou a politização do tema e apontou responsabilidade de lideranças nacionais, afirmando que a situação evidencia a necessidade de representação mais firme do país no exterior.

Além do impacto econômico imediato sobre setores exportadores, a reação dos presidenciáveis acende um alerta político: a disputa pré-eleitoral passa a incorporar a pauta externa como elemento de pressão sobre o governo, que terá de demonstrar capacidade técnica para mitigar danos. Para o mercado e para a cena política, a disputa deixa claro que falhas na diplomacia comercial podem traduzir-se em custo econômico e desgaste político que candidatos e aliados tendem a explorar.