A primeira semana oficial da corrida presidencial confirmou o que se desenhava: candidatos focaram em suas bases e reforçaram narrativas já conhecidas, em vez de abrir fogo cruzado. Lula tentou defender o governo e vender resultados; Flávio Bolsonaro manteve a polarização e trabalha para transformar casos ligados ao entorno do petista em munição política. A orientação geral entre estrategistas foi clara: não queimar a largada antes do início das propagandas.
No campo da direita, porém, o movimento de acomodação deixou claro um nó estratégico. Declarações de Gilberto Kassab sobre as chances de Flávio no segundo turno geraram reação e levantaram suspeitas de aproximação do Centrão com o Planalto, expondo Ronaldo Caiado a um dilema: crescer sem correr o risco de parecer parceiro de Lula. A troca de marqueteiro em sua campanha indica inquietação e tentativa de ajustar tom, mas também sinaliza desgaste nas decisões iniciais.
Flávio busca unidade entre bolsonaristas — inclusive voltando a se aproximar publicamente de Michelle — e condicionou presença em debates à participação de Lula, estratégia que visa centralizar o confronto e evitar ataques “fogo amigo” de adversários menores. Já Romeu Zema insiste em diferenciar-se com discurso reformista, mas enfrenta o desafio concreto de ampliar votos além do eleitorado ideológico antes que a disputa se cristalize.
O retrato desses primeiros dias é de cautela e de ocupação de territórios seguros; consequência prática: a campanha terá de acelerar a confrontação e a captação de eleitores indecisos assim que as propagandas ganharem força. Para alguns postulantes, a janela de crescimento é curta — e erros de comunicação ou declarações mal calibradas tendem a custar mais caro nas próximas semanas.