O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello, buscou nesta segunda-feira esclarecer a expressão sobre a existência de juízes “vermelhos e azuis”. Em discurso de abertura de sessão, o magistrado afirmou que sua observação foi apresentada em resposta a um comentário prévio do ministro Ives Gandra, que havia usado a mesma classificação em curso para advogados.
Ao rebater críticas, Luiz Philippe negou qualquer inclinação partidária e disse que sua atuação segue critérios técnicos, pautada pela Constituição e pela Consolidação das Leis do Trabalho. O presidente ressaltou sua trajetória de quatro décadas na magistratura e afirmou dispor de registros que demonstrariam a origem do termo, indicando que a fala teria sido retirada do contexto em que foi proferida.
A referência a correntes “vermelhas” e “azuis” — uma maneira de distinguir visões mais intervencionistas das mais liberais no direito do trabalho — reforça um debate recorrente: a rotulação ideológica de julgadores pode contribuir para a percepção pública de parcialidade. Mesmo sem intenção evidente de politizar decisões, a linguagem utilizada por membros do Judiciário tem potencial de afetar a credibilidade institucional.
O episódio aponta para a necessidade de cuidado terminológico e de transparência interna no TST, sobretudo em matérias de alto impacto social e econômico. Mais do que refutações pessoais, a corte precisa proteger a sensação de neutralidade que garante confiança nas decisões, sob risco de ver questionada sua independência em casos sensíveis.