A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) classificou como legítima a pressão da base aliada para que o Senado avance na votação do fim da escala 6x1. Em entrevista ao Correio, ela afirmou que a Câmara já fez sua parte ao aprovar a proposta e articular um acordo para a transição, incluindo a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

O debate ganhou novo impulso depois que o governo encaminhou um projeto de lei ao Congresso sobre o tema, enquanto a PEC que tratava da redução da jornada ficou sem relator e sem previsão de análise na Casa. Para Maria do Rosário, a demora na tramitação do Senado pode ser vista como uma tentativa de obstruir um avanço reivindicado por trabalhadores e centrais sindicais.

A pressão da base tem também finalidade política direta: aumentar o custo para a liderança do Senado, personificada no presidente Davi Alcolumbre (União-AP), e forçar um cronograma. Do outro lado, setores da oposição e representantes do empresariado pedem discussão mais ampla sobre impactos econômicos e trabalhistas, o que transforma o tema em terreno de disputa institucional.

O impasse acende alerta para governistas e amplia desgaste no Congresso. Sem calendário claro na CCJ do Senado, a pressão pode escalar e transformar uma pauta trabalhista em problema político de maior alcance, com efeitos práticos sobre a segurança jurídica e a previsão de rotina para os trabalhadores afetados.