Parlamentares ligados ao agronegócio, líderes de entidades e agricultores intensificaram nesta terça-feira (9/6) a pressão sobre o Senado pela aprovação do PL 5.122/2023, que cria mecanismo de securitização das dívidas rurais do Rio Grande do Sul. A mobilização no Salão Verde da Câmara teve participantes vestidos com camisetas pretas e a frase “Luto pelo Agro”, sinalizando o tom de urgência do setor.
A proposta, que segue para análise do Senado nesta quarta-feira (10), prevê o uso de recursos do Fundo Social para reestruturar passivos e, segundo seus defensores, não configura anistia. O relator na Câmara, deputado Afonso Hamm, reforçou que o objetivo é possibilitar condições de pagamento compatíveis com a realidade dos produtores afetados por estiagens e enchentes.
No ato, o movimento Securitização Já, representado por Arlei Romero, sustentou que o agronegócio precisa de tratamento similar ao de outros segmentos econômicos para preservar produção e empregos. O presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, ressaltou que a articulação entre entidades e parlamentares é vital para manter milhares de famílias no campo.
A mobilização reuniu integrantes da bancada gaúcha — entre eles Luciano Zucco, Sanderson, Marcel van Hattem, Marcelo Moraes, Pedro Westphalen, Covatti Filho, Afonso Hamm, Sérgio Turra e Daniel Trzeciak — e desloca agora o foco político para o Senado, colocando em evidência a necessidade de apoio da mesa diretora e do governo estadual nas negociações. Zucco criticou ainda a ausência de representantes de centro-esquerda no ato, apontando fragilidade no consenso político.
Além do caráter emergencial para produtores, a proposta assume consequência econômica ampla: preservação da cadeia produtiva e redução de impactos fiscais e sociais no RS. Resta ao Senado avaliar a matéria com celeridade, ciente de que o resultado terá efeito direto sobre a capacidade produtiva do estado e sobre a estabilidade política da bancada que impulsiona a iniciativa.