Uma mobilização promovida pela bancada feminina e por lideranças de partidos de esquerda tomou a Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira (14/7) para exigir que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), inclua em pauta o projeto de lei que tipifica a misoginia como crime. A proposta chegou à Câmara após aprovação unânime no Senado e aguarda votação no Plenário da Casa.
As parlamentares argumentam que o enfrentamento ao feminicídio passa também pelo combate ao discurso de ódio contra as mulheres e defendem a urgência da matéria diante do quadro de violência de gênero. Na mobilização, cobraram formalmente a inclusão do PL na ordem do dia e destacaram o caráter simbólico e material da aprovação no Senado como reforço à necessidade de tramitação célere.
A pressão pública expõe uma escolha política do comando da Câmara: pautar um projeto com ampla repercussão social e simbólica ou manter a proposta em espera, correndo o risco de desgaste político. Para a bancada feminina e seus aliados, a decisão de Hugo Motta será interpretada como um indicativo da prioridade que a Casa dará à pauta de proteção às mulheres.
O desfecho depende agora de uma decisão da presidência da Câmara sobre inclusão na ordem do dia. Enquanto isso, a mobilização marca um movimento organizado para transformar consenso no Senado em votação efetiva no Plenário, e coloca na agenda a avaliação política sobre como o Congresso trata a violência de gênero.