O primeiro debate da corrida presidencial, marcado para 23 de agosto nos estúdios da Band, começa já com uma mudança de cenário: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro não estarão no estúdio, e o empresário Pablo Marçal foi impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral de participar do confronto e de atos formais de campanha enquanto seu registro não for decidido.
Diante das ausências, a emissora optou por manter o formato previsto e deixar livres os púlpitos reservados aos ausentes. Estão confirmadas as participações de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A cobertura terá transmissão em múltiplas plataformas do grupo Band e parceiros, e o formato prevê blocos com confrontos diretos e períodos em que candidatos poderão circular pelo estúdio.
A decisão de Lula de não comparecer integra uma estratégia da campanha para reduzir a exposição do presidente a ataques em um embate sem igualdade entre forças políticas; a candidatura do PL adotou cálculo parecido e condicionou a presença de Flávio à participação do petista. O resultado imediato é um vácuo no confronto entre os dois polos principais, que pode tanto proteger os incumbentes quanto ceder narrativa e visibilidade ao conjunto de candidatos menores.
A exclusão de Marçal por decisão do TSE cria outro nó fora do estúdio: o próprio empresário anunciou intenção de aparecer nas imediações da emissora, em movimento que tende a buscar repercussão nas redes sociais. Para as campanhas e para o eleitor, o debate perde parte do caráter de confronto direto entre líderes, ao mesmo tempo em que oferece a Caiado, Zema, Renan e Cury uma vitrine nacional para tentar ampliar espaço e produzir conteúdo viral.
A primeira noite de debates revela, portanto, uma estratégia coordenada de gerenciamento de risco pelas campanhas dos principais nomes e um teste para o poder de mobilização dos presidenciáveis secundários. Politicamente, o episódio acende um alerta sobre a capacidade dos frontrunners de controlar narrativa pública sem aparecer nos palcos centrais — e sobre a eficácia de debates como instrumento de clarificação das opções eleitorais.