O primeiro debate entre candidatos à Presidência, promovido pela Band, acontece neste domingo (23/8), às 20h, e será transmitido pelo pool formado por TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, além do YouTube da Band. A emissora convidou seis postulantes, mas a provável ausência de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro — líderes nas pesquisas recentes — altera profundamente o alcance político do evento.

A legislação eleitoral dá a participação automática a candidatos de partidos com ao menos cinco representantes no Congresso, critério que hoje beneficia PT, PL, Avante e PSD. Ainda assim, a Band optou por ampliar convites. O caso de Pablo Marçal, proibido pelo TSE de participar enquanto seu registro não for julgado, e a decisão das campanhas de Lula e Flávio de não ir ao estúdio deixam o encontro com lugares potencialmente vazios no palco.

Na prática, a ausência dos dois nomes que lideram as intenções de voto transforma o debate: perde-se o confronto direto entre os favoritos, mas ganha espaço a disputa por atenção entre Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e Augusto Cury. Para esses candidatos, o encontro é uma janela rara para apresentar propostas ao grande público; para eleitores, é um retrato pontual de ideias e capacidades — não uma previsão de resultado.

As pesquisas compiladas até 17/8 colocam Lula em torno de 40% e Flávio Bolsonaro em 34% no primeiro turno, contexto que explica por que a falta deles reduz o impacto do evento na ponta da corrida. Para a campanha governista, a decisão de não participar acende alerta sobre custo político e oportunidade perdida de responder ataques; para a oposição direta, a condição de Flávio de só ir se Lula for também revela cálculo estratégico mais que objeção logística.

Do ponto de vista da imprensa e das emissoras, o desafio é manter a relevância do formato: o regulamento da Band prevê confrontos diretos e perguntas de jornalistas, haverá Sala Digital do Google e cobertura ao vivo da BBC. Se o debate não reunir os dois líderes, caberá à audiência e ao mercado avaliar se o encontro preserva legitimidade como instrumento de informação ou vira palco para performances com eficácia limitada.