A Polícia Federal concluiu que Felipe Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, deixou uma casa em Trancoso na manhã de 14 de janeiro por volta de 5h41 — cerca de 18 minutos antes da chegada dos agentes, registrada às 5h59. As imagens de câmeras de segurança mostram um homem similar a Felipe circulando pela área da piscina, consultando o celular e saindo em um carrinho de golfe acompanhado.
Ao chegar ao imóvel, os policiais relataram sinais de saída abrupta: quarto aberto, ar-condicionado ligado, roupas de cama desarrumadas e pertences espalhados. Dispositivos eletrônicos pessoais, como celulares e computadores, não foram localizados no local. Para a PF, o conjunto de indícios é incompatível com uma rotina ordinária e sugere possível tentativa de dificultar a coleta de provas.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero e justificou a prisão temporária de cinco dias por elementos que apontam potencial acesso do investigado a informações privilegiadas e risco de ocultação ou destruição de provas ainda não apreendidas. A decisão embasou as buscas e a detenção efetuadas nesta quinta-feira.
Felipe foi preso na quinta fase da ofensiva que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o caso do Banco Master. A PF o descreve como integrante do chamado “núcleo financeiro-operacional” da suposta organização criminosa.
Os investigadores também notaram que Vorcaro deixou a presidência da Green Investimentos um dia após a primeira fase da operação — movimento que, na avaliação da investigação, pode caracterizar tentativa de dissociação formal das estruturas sob escrutínio. O episódio acende alerta sobre possibilidade de circulação prévia de informações e amplia a pressão sobre a defesa e os envolvidos no entorno do banco.