O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, atribuiu à cooperação entre Brasil e Estados Unidos a captura de Alexandre Ramagem, preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) em Orlando. Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e com mandato cassado, estava fora do país desde a condenação e, segundo apurações, chegou aos EUA no dia do veredito.
Autoridades brasileiras encaminharam pedido formal de extradição ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025, e o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome na lista de procurados da Interpol, medida que viabilizou a detenção por autoridades estrangeiras. A PF informou que o ex-parlamentar estava em situação migratória irregular, e ele foi levado a um centro de detenção em Orlando, conforme relatos da imprensa.
A prisão confirma a eficácia das engrenagens internacionais de cooperação policial — desde notificações da Interpol até pedidos de extradição — mas também reabre questões internas. Como um parlamentar condenado conseguiu deixar o país no mesmo dia da pena, mesmo com passaporte diplomático cancelado e vencimentos bloqueados pelo STF? O episódio aponta para lapsos operacionais e de fiscalização que merecem apuração, sem transformar a conclusão em conjectura.
Politicamente, o caso tem dupla consequência: fortalece a imagem das instituições capazes de coordenar ações além das fronteiras e, ao mesmo tempo, cria custo político e institucional para quem detinha autoridade sobre controles e benefícios parlamentares. A detenção deve acelerar investigações sobre a saída clandestina e será usado por diferentes atores para reforçar narrativas de rigor institucional ou de responsabilização política.