A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo decidiu arquivar o pedido de apuração de crime eleitoral contra o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) relativo à suposta perseguição de viaturas da Polícia Militar ao carro do candidato Fernando Haddad (PT). A campanha petista havia solicitado investigação por suposta prática de abuso de poder e abuso de autoridade após episódio ocorrido em 11 de agosto, na zona sul da capital.

Embora tenha afastado atribuição para atuar no caso como ilícito eleitoral, o órgão não descartou que o patrulhamento tenha ocorrido de forma irregular. A Procuradoria observou que duas viaturas táticas cruzaram com o veículo do candidato num intervalo de 44 minutos e em um “raio geográfico estreito”, circunstância que não pode ser tratada como mera coincidência. O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt afirmou que “resta afastada qualquer dúvida quanto à eventual prática de ilícitos eleitorais pelo governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas”, e encaminhou cópia do expediente ao Ministério Público de São Paulo para providências na esfera administrativa ou criminal, se couber.

Resta afastada qualquer dúvida quanto à eventual prática de ilícitos eleitorais pelo governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, não subsistindo, portanto, atribuição desta Procuradoria para oficiar no presente expediente

A gestão paulista informou que a Polícia Militar arquivou investigação interna após análise de 79 câmeras e 12 arquivos de vídeo de nove fontes, concluindo que relatos do motorista e do candidato não guardam “correspondência integral” com a cronologia das imagens. Um inquérito da Polícia Civil segue em andamento. Haddad, por sua vez, apresentou novas imagens e um laudo pericial assinado por dois peritos judiciais que apontam cenário distinto: segundo o documento, uma viatura teria parado em um “ponto cego” não coberto por câmeras, hipótese não eliminada pelas defesas e que mantém pontos sem elucidação.

Do ponto de vista político e institucional, a decisão afasta a imputação eleitoral direta a Tarcísio, mas não elimina o impacto do episódio. O envio ao MP-SP e a investigação da Polícia Civil mantêm o caso em cena, oferecendo elemento de pressão sobre a gestão estadual e tema para a oposição explorar. A inconsistência entre versões — narrativas do motorista, imagens públicas, relatório interno da PM e laudo pericial — fragiliza a narrativa de total normalidade e exige resposta técnica e transparência adicionais para encerrar politicamente a controvérsia.