Uma reportagem do Intercept Brasil divulgada após a repercussão do áudio de Flávio Bolsonaro traz nova luz sobre contratos firmados pela Prefeitura de São Paulo em 2024. Segundo o site, o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama — produtora executiva do filme 'Dark Horse' — recebeu mais de R$ 100 milhões para instalar pontos de Wi‑Fi gratuitos em comunidades da capital.

O contrato, assinado na gestão do prefeito Ricardo Nunes, teria saído de uma licitação que recebeu apenas a proposta do instituto. Do total previsto de 5 mil pontos, cerca de 3,2 mil teriam sido instalados, com a maior parte das intervenções ocorrendo durante o período eleitoral de 2024, quando Nunes buscava a reeleição. O edital chegou a ser questionado pelo Tribunal de Contas do Município, que apontou possíveis irregularidades e recomendou a suspensão do processo.

Além do acordo para internet, o Intercept relata que outras entidades ligadas a Karina receberam recursos: a Academia Nacional de Cultura teria obtido cerca de R$ 2,6 milhões em emendas de deputados do PL. Parlamentares citados na reportagem incluem nomes como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon. A produção do longa, dirigida por Cyrus Nowrasteh e estrelada por Jim Caviezel, acrescenta dimensão política ao circuito de financiamento observado.

Os fatos relatados acendem alerta sobre fiscalização, transparência e possíveis vínculos entre produção cultural e recursos públicos em ano eleitoral. A Câmara chegou a defender a regularidade de certas emendas, e a Prefeitura de São Paulo não havia respondido às solicitações de esclarecimento até a publicação desta reportagem. A divulgação pelo Intercept amplia a pressão por explicações e comprovação de execução e fiscalização dos serviços contratados.