Os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) votaram em assembleia pelo fim da greve que durou mais de três meses. A paralisação, iniciada em 25 de março, será encerrada com retorno das aulas marcado para 13 de julho. A decisão ocorre após negociações que garantiram pagamentos e benefícios solicitados pela categoria.

Entre os pontos acordados estão a quitação das parcelas restantes previstas em lei estadual, a majoração do auxílio-alimentação para R$ 1.500, garantias de recursos para obras e manutenção via programa de negociação de dívidas dos estados (Propag), a incidência do triênio na dedicação exclusiva e a liberação de um adicional de desenvolvimento funcional, item apontado como decisivo para o retorno às atividades.

A suspensão da greve dos docentes não encerra o conflito no campus: técnicos administrativos permanecem em paralisação há três meses e, nesta sexta, representantes das categorias e estudantes farão vigília em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, onde o governador em exercício Ricardo Couto despacha, na tentativa de costurar um acordo. A mobilização expõe tensão entre reivindicação por recomposição salarial e a necessidade de contenção de gastos por parte do Executivo estadual.

Do ponto de vista político e fiscal, o acordo abre uma janela de alívio imediato para a Uerj, mas também amplia o desafio do governo em equilibrar concessões e ajuste nas contas públicas. A direção sindical sinaliza que a mobilização continua: o fim da paralisação é visto como etapa, não desfecho, numa agenda que ainda exige garantias de investimento e execução orçamentária consistente para evitar nova crise acadêmica.