Neste sábado (29/8) começaram as exibições da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Apenas quatro candidatos ocupam o tempo regulamentar: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). O roteiro inicial já delineou as estratégias: disputa por narrativa, foco em imagem e tentativa de atrair grupos-chave do eleitorado.
A campanha de Lula optou por um filme que mistura prestação de contas e apelo afetivo. Além de recuperar imagens de sua trajetória sindical e política, a peça destaca medidas econômicas e sociais do atual governo e inseriu a primeira-dama como ponte para o público feminino. A aposta é consolidar a narrativa de reconstrução do país e transformar o capital simbólico do mandato em vantagem eleitoral.
No lado do bolsonarismo, a inserção de Flávio Bolsonaro foi mais curta em ataques diretos, mas teve grande parte do tempo voltada às eleitoras — hoje responsáveis por 52,8% do eleitorado. Ao exaltar a influência feminina na sua formação e elogiar lideranças femininas, o senador tenta suavizar a imagem e ampliar apelo além da base tradicional, mantendo também discurso sobre segurança e endividamento das famílias.
Cury e Caiado ocuparam espaços menores, cada um com mensagens centradas em diagnóstico e trajetória: Cury criticou episódios de escândalo e apelou à escuta, enquanto Caiado ressaltou percurso público como diferencial de integridade e combate ao crime. No conjunto, o primeiro dia concentra a disputa em narrativas definidas: Lula busca transformar governança em argumento de voto; Flávio mira expansão eleitoral entre mulheres. Com tempo limitado a poucos nomes, a eficácia dessas peças pode condicionar respostas rápidas dos adversários e acelerar o ciclo de confrontos eleitorais.