Investigadores da Polícia Federal receberam com decepção a proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no procedimento que apura o megaesquema que provocou prejuízos bilionários ao Banco de Brasília (BRB). Fontes consultadas pela imprensa — com relatos inicialmente publicados por Natália Martins, do Portal R7, e confirmados pelo Correio — qualificaram o material como insuficiente e sem nomes do alto escalão que constam em provas obtidas pela perícia.

Segundo integrantes da investigação, trechos da proposta já circulam informalmente entre equipes da PF e do Ministério Público, ainda antes do protocolo formal dos depoimentos e anexos anunciado pelos advogados. A apreensão dos oito aparelhos celulares de Vorcaro na Operação Compliance Zero revelou mensagens que apontam para a participação de autoridades com foro por prerrogativa de função, mas as declarações do empresário, até o momento, não teriam contemplado todos os nomes presentes nas análises periciais.

Na avaliação técnica da corporação, uma delação considerada fraca tem consequências práticas: pode não agregar provas novas, atrasar o curso das apurações e até inviabilizar o acordo solicitado pela defesa. Para o Ministério Público, que fará a análise conjunta com a PF, a não indicação de atores centrais reduz o valor probatório da colaboração — e deixa em aberto a necessidade de investidas investigativas suplementares ou de medidas coercitivas para produzir as provas faltantes.

Do ponto de vista político e institucional, o episódio expõe um dilema relevante: se a colaboração premiada for homologada sem nomes que constam em material técnico, haverá custo de credibilidade para as instituições; se for rejeitada, a investigação pode enfrentar demora adicional e pressão pública por respostas. Nas próximas etapas, caberá à PF e ao MPF decidir se exigem complementação da proposta ou se seguem outras linhas de investigação para responsabilização dos envolvidos.