A decisão do Supremo Tribunal Federal de estender o horário de votação até as 19h abriu uma expectativa imediata entre eleitores que não haviam conseguido votar até as 17h. Em vários pontos do país, porém, a medida terminou em frustração: pessoas que chegaram após o fechamento encontraram portas fechadas e receberam declarações de comparecimento sem voto. Reportagens da Agência Brasil e relatos de mesários mostram um quadro de descompasso entre a determinação judicial e a operacionalização nas zonas eleitorais.

O problema começou na comunicação e no timing. Mesários em diferentes localidades só tomaram conhecimento da prorrogação quando as seções já haviam sido encerradas e os procedimentos finais — impressão de boletim, fechamento das urnas e entrega de mídias — já estavam em curso. Pouco depois da decisão do STF, o Tribunal Superior Eleitoral orientou que a prorrogação valeria apenas para seções que ainda não tivessem encerrado a votação, mas essa orientação chegou tardiamente a muitas equipes locais. O Tribunal Regional do Distrito Federal confirmou que, em diversas seções do DF, as urnas foram fechadas às 17h em ponto antes que a nova informação chegasse.

Os relatos ilustram consequencias concretas: no Colégio Pensi, zona sul do Rio, pelo menos sete eleitores tiveram o acesso negado e receberam declaração de comparecimento; uma contadora que viajou do Uruguai afirmou ter chegado após atraso no voo e não conseguiu votar. Em Brasília, a presidente de seção em Samambaia descreveu a surpresa ao só ter acesso às notícias depois de terminar os procedimentos de fechamento. Há, portanto, uma assimetria prática entre zonas que permaneceram abertas e outras que encerraram normalmente às 17h, o que alimenta percepção de tratamento desigual entre eleitores.

Além do impacto imediato sobre cidadãos impedidos de exercer o voto, o episódio acende alerta sobre falhas de coordenação entre tribunais e logística nas seções. Para além do desconforto individual, a irregularidade tem custo institucional: aumenta a sensação de insegurança no processo eleitoral e dá margem a críticas sobre a capacidade administrativa das cortes eleitorais. É imprescindível que o TSE e os TREs expliquem cronologia, protocolos e responsáveis pela comunicação, e que sejam adotadas medidas para evitar repetição em futuras eleições — sob pena de ampliar desgaste e corroer confiança no sistema de votação.