O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido por uma manifestação hostil na saída do Congresso Nacional, nesta sexta-feira. O episódio teve como estopim a coletiva em que ele declarou apoio à deputada Soraia Santos (PL-RJ) para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A pré-candidata indígena e deputada federal Narubia Werreria (PT-TO) liderou parte dos ataques verbais, confrontando o senador diante de apoiadores e jornalistas.

Ao fim da entrevista, grupos contrários se aproximaram e passaram a hostilizar Flávio com gritos e palavras de ordem. Repetidamente, os manifestantes entoaram o coro “sem anistia”, uma referência direta à cobrança por responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros apoiadores ligados ao governo também marcaram presença no entorno, intensificando o clima de confronto entre os polos políticos no estacionamento do Congresso.

Os manifestantes entoaram o coro "sem anistia" em referência à responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mais do que um incidente isolado, a cena revela o grau de polarização que cerca a família Bolsonaro e seus aliados. Para um possível candidato à Presidência, a hostilidade pública representa um desafio de imagem: o episódio pode ser explorado tanto como prova de resistência civil quanto como sinal de desgaste e de ambiente político mais conflagrado para a base. A mobilização liderada por Narubia Werreria dá visibilidade à estratégia de contestação direta em atos públicos.

Há ainda um componente institucional. O anúncio de apoio a Soraia Santos para o TCU, uma indicação que exige discussão política e técnica, foi recebido no mesmo momento em que ruas e corredores do Congresso se acirravam. A sobreposição entre gesto institucional e protesto de rua sublinha como decisões sobre tribunais e cargos públicos convivem hoje com pressão social imediata — e podem repercutir na tramitação e na percepção pública sobre legitimidade.

O episódio deve ser lido como mais um indicador do ambiente político tenso em Brasília: aumenta a exposição de aliados do ex-presidente e pressiona candidaturas que dependem de coalizões internas. Resta saber se a repercussão pública reforçará posicionamentos de enfrentamento ou obrigará a uma recalibração de discurso por parte do bolsonarismo nas próximas semanas.

A ação foi liderada pela pré-candidata indígena Narubia Werreria, que confrontou o senador após a coletiva.