O PSB realiza nesta quarta-feira, em Brasília, sua convenção nacional para oficializar Geraldo Alckmin como candidato à vice-Presidência na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. A manutenção da composição que venceu em 2022 reedita a estratégia de ampliar o apelo ao centro, com um nome de trajetória ligada à centro-direita. A presença de Lula no evento ainda não foi confirmada oficialmente, mas interlocutores do partido indicam grande probabilidade de participação.

Desde o início do atual mandato, Alckmin consolidou papel de interlocutor no governo e manteve relação próxima com o presidente, sem divergências públicas relevantes. Além das atribuições como vice, ele teve comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por mais de três anos, período em que ganhou visibilidade ao liderar negociações com os Estados Unidos após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Apesar do acerto nacional, a costura dos palanques estaduais revelou fraturas: Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal foram citados entre as bases em que houve impasses na montagem das alianças locais. Fontes do PSB relataram insatisfações com decisões atribuídas ao PT na condução das negociações; acordos foram fechados na maior parte dos Estados, mas as queixas expõem limites e custos políticos que podem cobrar preço na mobilização regional.

A oficialização de Alckmin preserva a estratégia de atrair eleitores de centro e reduzir o risco de desgaste por isolamento político no meio da disputa. Ao mesmo tempo, os ruídos estaduais deixam claro que a estabilidade da coalizão depende de concessões locais e de gestão política fina. A expectativa é que a frente some PCdoB, PV, PDT e PSol e tente ampliar apoios de siglas de centro, mas as recentes tensões deixam pistas de que a articulação territorial será desafio central até o fechamento das chapas.