Cresce no PSD a opção por disputar a Presidência com uma chapa puro-sangue liderada por Ronaldo Caiado e com Gilberto Kassab na vice-presidência. A proposta, oficialmente colocada pelo presidente do partido como hipótese, tem objetivo explícito: manter o espaço de direita, mas distanciar a candidatura do tom mais radical associado a Flávio Bolsonaro, tentando conquistar eleitores de centro e setores desconfortáveis com extremismos.

Kassab registrou nas redes sociais que se sente honrado pela menção ao seu nome como opção para vice e que atuará conforme decisão coletiva do partido e do próprio candidato. A mudança de tom no PSD acompanha episódios recentes que ampliaram o desgaste do núcleo bolsonarista — da repercussão dos diálogos com Daniel Vorcaro até a oitava fase da Operação Carbono Oculto, que envolveu aliados e ex-governadores. Nos bastidores, esses fatos reforçam a leitura de que é o momento de oferecer uma alternativa mais institucional.

A movimentação também ganha impulso por fatores regionais. A decisão do ministro Luiz Fux de negar pedido que beneficiaria a bancada do PL no Rio de Janeiro fortaleceu a pré-candidatura de Eduardo Paes e abriu espaço para que Caiado construa palanque naquele estado, historicamente sensível para o clã Bolsonaro. Além disso, o encontro entre Caiado e Romeu Zema expôs a busca por alianças à direita do espectro, embora Zema tenha sinalizado a intenção de manter seu projeto presidencial até o fim.

No campo interno, a mudança de postura do PSD altera o calendário de definição do vice. Kassab havia defendido que a escolha poderia ser adiada até próximo das convenções; agora, pressões internas e oportunidades políticas empurram o tema para discussão mais antecipada. A aposta é que uma chapa inteira do PSD possa agregar eleitores moderados, mas há risco de fragmentação: parte do eleitorado do Novo e de outras siglas de centro-direita pode resistir a um alinhamento que pareça uma tentativa de ocupação exclusiva do espaço anti-PT.

Politicamente, a hipótese de Caiado-Kassab acende um sinal de alerta para o campo bolsonarista: força a rearticulação do PL e testa a capacidade do bloco de recompor apoios diante de escândalos e operações policiais. Para o PSD, trata-se de tentar capitalizar um momento de desalinho na direita, transformando desgaste alheio em oportunidade eleitoral. Ao mesmo tempo, a decisão terá de passar pelo crivo partidário e pela avaliação final do candidato, que manterá a palavra decisiva na montagem da chapa.