O PSD divulgou nota na noite deste domingo cumprimentando Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin pela reeleição e desejando "um bom governo" à nova gestão. Assinada pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, a mensagem enfatiza compromisso com a democracia e a intenção de manter relações institucionais construtivas com o Executivo.

No texto, Kassab apresenta uma agenda de prioridades que combina políticas sociais e preocupação com as contas públicas: correção de desigualdades, atração de investimentos, geração de empregos e, especialmente, equilíbrio fiscal. O partido também lista demandas setoriais — maior investimento em pesquisa, ciência e inovação, fortalecimento da gestão e recursos para o SUS e foco em educação e formação dos jovens.

O posicionamento, embora cortês, revela um movimento político pragmático. O PSD havia lançado no primeiro turno a candidatura de Ronaldo Caiado e manteve neutralidade institucional no segundo turno, enquanto o próprio Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro. A nota de Kassab funciona, assim, como tentativa de conciliar correntes internas divergentes e preservar o espaço do partido nos legislativo e nos governos estaduais.

Do ponto de vista político, a declaração acende um alerta para o Executivo: o PSD se coloca como parceiro condicionado a agendas que misturam gasto social e disciplina fiscal, o que pode ampliar a pressão por acordos e indicar a busca por influência nas futuras negociações orçamentárias. Para a sigla, trata-se de sinalizar relevância sem fechar fileira partidária — um cálculo que pode complicar ou facilitar a governabilidade, dependendo dos próximos passos.