O PSDB formalizou nesta semana uma acusação contra o líder do governo Tarcísio na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputado Gilmaci Santos (Republicanos), por atos que considera violência política de gênero durante uma discussão na Comissão de Assuntos Metropolitanos, na quarta-feira (3). O confronto ocorreu quando o presidente da Sabesp, Carlos Piani, foi retirado da sala pelo líder, diante da ausência de quórum para iniciar a sessão.
A deputada Ana Carolina Serra (PSDB), que presidia a comissão, afirmou ter sido desrespeitada durante a troca de palavras, e o diretório tucano estadual divulgou nota classificando a conduta como constrangimento ao exercício da função por parte de uma mulher parlamentar. O gabinete da Liderança do Republicanos negou a acusação, argumentando que a saída de Piani foi uma medida técnica por falta de quórum e defendendo a atuação de Gilmaci como pautada pelo regimento e pela necessidade de formalidade e transparência.
O episódio tem potencial para ampliar o desgaste entre partidos na Alesp e trazer repercussões eleitorais. A disputa ocorre no contexto sensível da privatização da Sabesp — aprovada pela Assembleia em 2023 e concluída no ano seguinte — tema que adversários, como pré-candidatos da oposição, já pretendem explorar na campanha. A presença na narrativa do presidente do diretório tucano estadual, Paulo Serra, marido da deputada, adiciona tensão política ao episódio e reforça a leitura de que o incidente pode migrar para o campo da disputa eleitoral.
Além do aspecto de gênero, a controvérsia levanta questões sobre procedimentos de fiscalização parlamentar: o Republicanos sustenta que audiências informais comprometem transparência, enquanto o PSDB vê na retirada uma forma de limitar o debate. O caso expõe fragilidades de coordenação na Alesp e acende um sinal político para as lideranças — será necessário encaminhamento claro da presidência da Casa ou mesmo apuração interna para evitar que o episódio se transforme em mote de campanha e desgaste institucional.