A direção estadual do PSol no Rio Grande do Sul decidiu formalizar, em reunião nesta terça-feira (21), um apoio classificado como 'crítico' à pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo. A aliança será oficializada em encontro marcado para esta quarta na sede do PDT, quando os dirigentes entregarão um conjunto de propostas consideradas prioritárias para campanha e um eventual governo.

No documento entregue ao PDT, segundo a sigla, constam reivindicações claras: oposição a privatizações, fortalecimento do serviço público e políticas concretas de prevenção a desastres ambientais. A decisão do PSol também reafirma que o partido não pretende ocupar cargos na estrutura do futuro governo — postura que preserva identidade política, mas reduz instrumentos tradicionais de influência.

A escolha por uma frente ampliada tem justificativa defensiva: dirigentes do PSol apontam risco de avanço da extrema-direita no estado e dizem ver na unidade entre partidos progressistas a única forma de evitar um novo quadro dominado por candidaturas de perfil conservador, como em 2022. A chapa em formação tem Edegar Pretto (PT) como vice e mantém Manuela D’Ávila como opção ao Senado, numa composição que reúne PCdoB, PV, Rede e PSB.

Do ponto de vista político, o apoio condicionado acende um dilema prático para o PDT: aceitar salvaguardas programáticas sem poder oferecer participação no governo pode limitar a capacidade de garantir lealdade e traduzir-se em dificuldades de governabilidade. Ao mesmo tempo, para o PSol, a estratégia busca sinalizar compromisso com agenda pública e manter margem para crítica caso promessas não se cumpram — um cálculo que complica a narrativa oficial de coesão.

A movimentação no RS é também uma peça da estratégia nacional: a base ligada ao campo progressista destaca que a união local ajuda a reforçar a ofensiva para reeleger o presidente Lula. Mas a bandeira do apoio sem cargos levanta dúvida sobre a média distância entre compromisso eleitoral e capacidade de implementar políticas, um ponto que pode gerar tensão na costura da coligação ao longo da campanha.