PSol e Rede Sustentabilidade formalizaram à Procuradoria-Geral da República uma representação que pede investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os partidos sustentam que a atuação do parlamentar em encontros recentes com autoridades norte-americanas — incluindo uma audiência com o então presidente Donald Trump e conversas com o secretário de Estado Marco Rubio — teve como objetivo obter a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A petição cita reportagem internacional que atribui a decisão dos EUA a meses de lobby protagonizado por membros da família Bolsonaro.

Na peça entregue à PGR, os partidos argumentam que a iniciativa do senador ameaça a soberania nacional e usurpa competências exclusivas do chefe do Executivo, previstas na Constituição, relativas à condução da política externa. Além disso, a representação alerta para riscos concretos: a designação, sob a legislação norte-americana, poderia abrir caminho a sanções contra instituições financeiras brasileiras e até a hipóteses de intervenção em áreas de atuação das facções, aponta o documento. Por isso, além da apuração criminal, os autores pedem comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral para avaliar possível influência estrangeira no processo eleitoral.

O caso coloca sobre Flávio Bolsonaro um custo político imediato. Para um pré-candidato à Presidência, a acusação de buscar apoio externo em assuntos de segurança interna acende alerta e amplia desgaste perante eleitores e adversários. A reação dos partidos aliados ao governo e a menção expressa ao impacto no sistema financeiro e na integridade territorial criam um quadro que pode ser explorado tanto na tática judicial quanto na disputa eleitoral. A pré-campanha respondeu por meio do coordenador Rogério Marinho, que defendeu a busca por apoio internacional como medida para combater facções e proteger a população, e afirmou que assumem essa postura com convicção.

A PGR terá agora o papel de decidir se abre inquérito para investigar possíveis ilegalidades e se encaminha elementos ao TSE. Independentemente do desfecho jurídico, a denúncia reforça um tema sensível: a fronteira entre iniciativa privada de parlamentares e a condução formal da política externa. Se comprovada interferência indevida, a matéria pode complicar a narrativa do grupo político dos Bolsonaro e gerar repercussões institucionais sobre prerrogativas presidenciais. Trata‑se, no momento, de um retrato do conflito entre estratégia política e limites constitucionais — e não de uma conclusão definitiva.