O PT protocolou ação judicial que pede a suspensão imediata de anúncios de apostas durante transmissões esportivas ao vivo e exige normas específicas para fiscalizar plataformas, emissoras, influenciadores e comentaristas. O pedido inclui a proibição de indicativos de probabilidade, QR Codes, cupons, links, bônus, merchans, comentários patrocinados e manifestações de apresentadores durante as partidas.

No documento apresentado pelo partido, a veiculação publicitária é descrita como um estímulo ativo e imediato ao jogo, transformando a cobertura esportiva em vitrine para apostas em vez de relato jornalístico. A legenda do pedido nesta direção busca colocar limites ao formato comercial que, segundo o PT, converte o jornalismo esportivo em marketing permanente de casas de aposta.

Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, abriu investigação sobre possíveis irregularidades nas transmissões da CazéTV. O órgão informou que vai apurar a transparência das mensagens publicitárias e verificar se houve estímulo a comportamentos vedados pela legislação, como incentivo a apostas impulsivas, promessa de ganhos fáceis ou minimização dos riscos envolvidos na atividade.

A ofensiva judicial e a apuração administrativa podem ter efeito prático sobre receitas de patrocinadores e modelos comerciais de transmissões esportivas que dependem de promoção de casas de aposta. Se acolhidas, as medidas também criariam nova jurisprudência regulatória, obrigando emissoras e influenciadores a rever formatos e contratos. Por ora, trata‑se de um sinal de que a expansão das apostas no ambiente esportivo migra do debate técnico para o litígio público, com impacto direto sobre atores da mídia e do mercado publicitário.