A bancada do PT na Câmara formalizou à Procuradoria-Geral da República uma notícia de fato contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP), reunindo duas frentes de suspeita: viagens internacionais sem autorização regimenta e indícios de 'rachadinha' no gabinete. Segundo os parlamentares petistas, elementos divulgados — incluindo comprovantes de pagamentos e transferências — apontam para possível desvio de salários de assessores e uso privado de recursos vinculados à atividade parlamentar.

No primeiro eixo da denúncia, os petistas questionam deslocamentos de Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos sem o aval do presidente da Câmara, Hugo Motta, exigido pelo Regimento Interno em casos de agendas oficiais no exterior. A assessoria do deputado disse ao Correio que pedidos de autorização foram protocolados e lançados no sistema da Casa, mas a bancada sustenta que a exigência normativa não foi integralmente atendida, o que abre margem para apuração sobre regularidade e transparência das viagens.

O segundo ponto traz à tona pagamentos feitos por uma ex-funcionária do gabinete a despesas pessoais da família do parlamentar, além de transferências via pix a terceiros ligados a Frias. A própria denúncia correlaciona o episódio a episódios passados envolvendo o campo político do governo, citando reportagens e áudios divulgados pelo Intercept que teriam conectado políticos ao Banco Master e a cobranças de recursos. A comparação com escândalos anteriores, como o das chamadas 'rachadinhas' em gabinetes de membros da mesma base, amplia o potencial de desgaste político e cria um foco de pressão sobre o PL.

Com a notícia de fato na PGR, abre-se uma etapa institucional que pode exigir respostas documentais e explicar contradições de agenda e gestão do gabinete. Politicamente, o caso acende alerta para a imagem do grupo governista diante do eleitorado e de aliados: independentemente do resultado, o episódio complica a narrativa de normalidade administrativa e pode cobrar iniciativa do partido na instauração de transparência. A investigação será o teste definitivo para transformar suspeitas em responsabilidade jurídica ou dissipar as dúvidas levantadas pela oposição.