O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou na segunda-feira (3/8) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República, na atual função de Procuradoria-Geral Eleitoral, contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na peça, Correia identifica um vídeo divulgado por um perfil secundário no Instagram, que o próprio parlamentar do PL legendou como 'Jingle da campanha?? Agora sim!', e pede investigação por suposta propaganda eleitoral antecipada de teor negativo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A representação sustenta que a publicação antecede o período permitido para propaganda eleitoral e utiliza linguagem e elementos típicos de campanha para associar o presidente a práticas criminosas e, segundo o documento, induzir o eleitorado ao não voto. O pedido traz dados de alcance: cerca de 2,6 milhões de visualizações, aproximadamente 140 mil curtidas, 5,5 mil comentários e mais de 25,8 mil compartilhamentos. Correia requer ainda a preservação imediata das provas digitais e diligências sobre eventual impulsionamento pago e participação de assessores.

Além de apontar possível ilícito eleitoral, a peça solicita apuração sobre o uso de estrutura da Câmara dos Deputados — servidores, equipamentos, contratos ou recursos públicos — na produção do material. Caso comprovada essa hipótese, a representação coloca na retórica a análise de abuso de poder político, uso indevido da máquina pública e até risco de inelegibilidade, em procedimentos específicos previstos pela legislação eleitoral.

A PGR ainda não se manifestou; a Procuradoria-Geral Eleitoral avaliará se há elementos para abrir investigação. Politicamente, a ação acende alerta para os limites da atuação parlamentar nas redes e pode ampliar desgaste para o PL caso se confirmem impulsionamento pago ou vínculo com a estrutura pública. Procedimentalmente, o caso mostra a tensão entre liberdade de expressão e as regras eleitorais fora do período oficial de campanha.