O Partido dos Trabalhadores protocolou na noite de 9 de setembro duas petições no Supremo Tribunal Federal (STF) direcionadas aos ministros André Mendonça e Flávio Dino. O objetivo é obter a retirada de sigilos de investigações que, direta ou indiretamente, envolvem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa coloca no centro do debate a questão do acesso aos autos e o potencial impacto político do fluxo de informações em plena campanha eleitoral.

No documento entregue a Mendonça, o PT argumenta que a divulgação de peças soltas, sem o conjunto probatório, cria uma assimetria informativa: fragmentos escolhidos pelo efeito que produzem acabam circulando na imprensa enquanto partes substanciais das apurações permanecem protegidas. As investigações sob responsabilidade de Mendonça incluem apurações sobre repasses ligados ao filme Dark Horse e supostas irregularidades no INSS que teriam conexões com a instituição financeira liquidada.

Ao mesmo tempo, a petição dirigida a Flávio Dino concentra-se em apurações sobre emendas parlamentares, algumas com possíveis elos com o Master, e também toca na tentativa de aquisição do banco pelo BRB. Para os advogados do partido, o calendário eleitoral — com primeiro turno marcado para 4 de outubro — torna a situação mais sensível, porque vazamentos fragmentados podem moldar o debate público no momento de maior impacto eleitoral, sem permitir resposta contextualizada dos atingidos.

Politicamente, o movimento do PT expõe duas frentes. De um lado, pressiona o STF por maior transparência nos autos para neutralizar efeitos de divulgação parcial; de outro, sinaliza disputa de narrativa em um período em que cada notícia ganha potencial efeito eleitoral. A Corte terá de escolher entre manter restrições processuais e evitar riscos de influência no pleito ou liberar trechos das investigações e, assim, reduzir a possibilidade de edições seletivas que, segundo o partido, prejudicam a igualdade de condições na disputa.