O departamento jurídico da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou, em 30 de julho, uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma rede que, segundo o documento, utiliza inteligência artificial para produzir e disseminar conteúdos ofensivos destinados a desgastar a imagem de Lula e do PT. A ação foi assinada pelas siglas da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e solicita medidas imediatas do tribunal, entre elas a remoção dos links apontados e a identificação dos responsáveis pelas contas envolvidas.

No mapeamento apresentado ao TSE, a estrutura descrita pela representação reúne ao menos 32 perfis apócrifos, que somariam 1.464.245 seguidores e 23.828 publicações. O documento afirma que, ao considerar também as contas de figuras públicas citadas na ação, o alcance potencial ultrapassaria 10 milhões de seguidores. A denúncia menciona a amplificação por meio de 'collabs' com parlamentares e pré-candidatos — entre eles, cita o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e os parlamentares Gustavo Gayer, Mário Frias, Gilvan Costa e André Marinho — além da publicação massiva de jingles gerados por IA no TikTok e de supostos mecanismos de arrecadação via Pix e criptomoedas e uma escola para ensinar produção de vídeos com IA.

A peça enviada ao TSE mistura elementos de investigação de conteúdo com pedidos de tutela de urgência: além da remoção, os partidos pedem a suspensão da monetização das contas e a identificação dos operadores financeiros. Se acolhidas, essas medidas podem abrir um precedente sobre como a Justiça Eleitoral trata materiais gerados por inteligência artificial e qual o grau de responsabilidade de plataformas e de figuras públicas que participam de publicações colaborativas. Para a campanha do presidente, o instrumento jurídico busca não apenas barrar a circulação de material que considera ofensivo, mas também expor um modelo de ação que, se confirmado, combina técnica de produção e infra-estrutura de financiamento.

Do ponto de vista institucional, a representação tende a acender alerta sobre a velocidade com que ferramentas de IA se incorporam à disputa política e sobre a capacidade das regras eleitorais e das plataformas de acompanhar esse ritmo. A reação do TSE e eventual comprovação das práticas alegadas terão impacto prático na estratégia das campanhas e podem complicar a narrativa da oposição caso se estabeleça vínculo comprovado com coordenação ou monetização. Cabe agora ao tribunal avaliar as provas apresentadas, determinar responsabilidades e equilibrar a necessidade de prevenção de abusos com garantias de liberdade de expressão.