Em frente ao QG da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Lago Sul, o senador Humberto Costa (PT-PE) delineou a prioridade do partido: reeleição presidencial seguida da ampliação de uma bancada alinhada no Congresso. Segundo ele, a estratégia passa por gravações com Lula para fortalecer candidaturas ao Senado, governos estaduais e, pela primeira vez de forma organizada, vagas na Câmara.

No centro da operação estão as inserções eleitorais que começarão a ir ao ar a partir de domingo, conforme o calendário do TSE. Costa informou que o presidente participará de peças curtas — de cerca de seis segundos — para os candidatos escolhidos, além de aparições junto a postulantes do PT com viabilidade eleitoral. A iniciativa sinaliza um esforço concentrado na comunicação para 2026.

O objetivo declarado é formar uma ‘bancada lulista’ no Senado capaz de conter a ofensiva da extrema direita e ampliar a base de apoio no Congresso. A expressão usada pelo senador traduz a intenção de ajustar a correlação de forças parlamentar, um movimento que, se bem-sucedido, facilitaria a tramitação de projetos considerados estratégicos pelo Palácio do Planalto.

Entre as pautas citadas estão o fim da jornada 6x1, a PEC da Segurança Pública e medidas sobre regulamentação do uso de terras, aprovadas em comissão nesta semana. Costa chegou a aventar a possibilidade de votação da jornada 6x1 antes das eleições, uma previsão que realça a urgência do governo em conquistar votos no Senado para viabilizar sua agenda.

Politicamente, a mobilização acende alerta: a tentativa de concentrar apoio com gravações e endossos expõe a percepção de fragilidade da base legislativa e pressiona aliados a entregas rápidas. Para o eleitor e para o mercado, a aposta revela que o governo vê nas eleições de 2026 e na renovação de cadeiras no Congresso um mecanismo essencial para reduzir resistência e garantir aprovação de medidas centrais.