O Partido dos Trabalhadores voltou a engrossar o tom contra a família Bolsonaro nesta terça-feira (7), ao publicar no X um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que ele trata da defesa da soberania. A legenda diz que “o Brasil é soberano” e afirma que não há espaço “para traidores da pátria”, numa referência às recentes iniciativas de membros do clã junto a autoridades dos Estados Unidos.
A reação do PT foi motivada por uma atuação em Washington do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em audiência no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ele pediu que as autoridades americanas desistam da aplicação de sobretaxas sobre produtos brasileiros. Flávio também enviou documento ao órgão em que afirma que a taxação “não saiu como o esperado” e teria terminado por favorecer o governo brasileiro; além disso, alertou que o cenário político no Brasil pode mudar nos próximos 90 dias, o que recomenda cautela antes de medidas de longo alcance.
O episódio reúne dois vetores de disputa política: a mercadológica — sobre impactos e autonomia nas relações comerciais — e a simbólica — sobre lealdade nacional e atuação de representantes brasileiros junto a governos estrangeiros. Ao colocar a palavra “traidor” no centro da narrativa, o PT busca transformar uma questão técnica de comércio em argumento político capaz de desgastar a imagem do parlamentar e de seus aliados.
Para Flávio Bolsonaro, a movimentação em Washington tem custo político potencial. Ao recorrer a interlocutores externos, o pré-candidato abre espaço para que adversários questionem se a prioridade é defender interesses nacionais ou influenciar decisões de terceiros em benefício político. A mensagem do PT, ao usar discurso presidencial sobre defesa e soberania, visa justamente ampliar esse desconforto entre eleitores e partidos parceiros.
Mais do que ampliar a polarização, o confronto expõe a sensibilidade do debate sobre comércio exterior na véspera do ciclo eleitoral. A disputa tende a pressionar o PL a responder politicamente e a trazer o tema para o centro da disputa por narrativa sobre patriotismo e independência na política externa — fatores que podem influenciar a formação de alianças e o desempenho eleitoral em 2026.