Em um documento interno que será submetido ao 8º Congresso da sigla, o PT defende uma ampla reforma do Poder Judiciário e a adoção de um manual de conduta para o Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta saiu de uma comissão presidida pelo ex-ministro José Dirceu, cuja influência é citada como fator central na construção das diretrizes que começarão a ser discutidas nesta sexta-feira (24/4).
O texto, parte da agenda que deve nortear o partido no período eleitoral, também propõe maior participação popular direta, a reforma das Forças Armadas e o fortalecimento dos órgãos de controle. Entre os itens previstos está a instituição e o aperfeiçoamento de códigos de ética para as cortes superiores, incluindo o STF, com foco em integridade, transparência e responsabilidade institucional.
O movimento ocorre em meio a um desgaste de imagem da suprema corte, explorado pelo documento ao citar a necessidade de maior transparência — contexto marcado por reportagens sobre supostas ligações de magistrados com o empresário Daniel Vorcaro, preso em investigação que envolve fraudes e o Banco de Brasília (BRB). Após a aprovação no congresso, os pontos serão enviados à coordenação de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir o que integrar o plano eleitoral.
Politicamente, a iniciativa tem dupla leitura: fortalece a narrativa de controle e transparência do PT, mas também acende alerta sobre o risco de polarização institucional. A influência de Dirceu sinaliza uma agenda mais combativa e pode complicar a narrativa governista ao transformar propostas de reforma em alvo da oposição durante a campanha. Lula participa do congresso e conduzirá uma das mesas previstas, o que dá ao tema potencial peso eleitoral imediato.