A bancada do PT na Câmara saiu em defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), após a deflagração de nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Em nota divulgada nesta quinta-feira (18/6), o partido afirmou que o senador deve ter assegurada a presunção de inocência e reiterou apoio à investigação, ao mesmo tempo em que pediu a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as circunstâncias envolvendo o Banco Master.

O documento, divulgado pelo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), reafirma a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de garantir autonomia à Polícia Federal na condução das apurações. Ao mesmo tempo, a bancada cobrou o aprofundamento das investigações e pediu esclarecimentos sobre a menção, nas diligências, de supostos valores da ordem de R$ 61 milhões relacionados ao senador Flávio Bolsonaro e ao banqueiro preso, Daniel Vorcaro.

A postura do PT — combinar a defesa pública de um parlamentar atingido pela operação com o pedido de uma CPMI — concentra um cálculo político que visa tanto blindar direitos individuais quanto disputar o controle da agenda investigativa no Congresso. Para a oposição, já ao longo do dia, a nova fase da operação reforçou o argumento pela necessidade de uma CPI; para o governo, o episódio complica a narrativa oficial por envolver o líder governista no Senado e ampliar a exposição política do caso.

No plano prático, o pedido de CPMI sinaliza que a disputa sobre o desdobramento das apurações sairá das delegacias e será travada no terreno legislativo. A combinação de apoio à autonomia da PF com reclamação por investigação parlamentar traduz a tensão entre preservar o due process e responder à pressão pública e partidária. Os próximos passos — decisões do STF, andamento das diligências e movimentos no Congresso — vão definir se o episódio se transforma em desgaste prolongado para o núcleo governista ou se se encerra como episódio de investigação isolada.