A decisão da Executiva Nacional do PT de não lançar candidatos próprios aos governos de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina marca uma opção clara: nacionalizar a tática eleitoral para priorizar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, o partido recuou da candidatura do ex-presidente da Conab Edegar Pretto e confirmou apoio à pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT). Em Porto Alegre, Pretto anunciou a desistência após se reunir com lideranças do PSB e já sinalizou que pode compor a chapa como vice. A escolha foi apresentada como caminho para consolidar uma frente de esquerda com PSB, PSol, PCdoB, PV e Rede.

No Paraná, a aliança com o PDT se repete em torno de Requião Filho, estratégia que o PT justifica pela necessidade de montar um palanque robusto para contrapor apoios regionais importantes à candidatura presidencial adversária. Em Santa Catarina, a proximidade com o PSB deve se traduzir no apoio ao empresário e ex-deputado Gelson Merísio, nome que o comando nacional vê como capaz de ampliar o desempenho de Lula no estado — a meta citada é avançar sobre a barreira dos 30% que o presidente alcançou em 2022.

A opção por alianças consolidadas revela ganhos e riscos. Do lado positivo, o recuo evita dispersão de votos à esquerda e tende a concentrar recursos e atenção em candidaturas que podem oferecer palanques competitivos em outubro. Por outro lado, a decisão gera tensão interna: setores regionais do PT defendiam candidaturas próprias e houve ameaça de intervenção no diretório gaúcho, agora encaminhada para votação em reunião estadual. A perda de protagonismo local pode enfraquecer a estrutura partidária no Sul e transferir protagonismo eleitoral a legendas aliadas, com efeitos de médio prazo sobre capilaridade e base orgânica.

Politicamente, a estratégia mostra que o comando nacional aposta que a soma de forças locais será mais útil à campanha presidencial do que disputas isoladas por governos estaduais. É uma aposta táctico‑eleitoral que, se bem-sucedida, amplia a competitividade dos palanques pró-Lula; se der errado, poderá ser cobrada como custo político pela militância e por lideranças regionais nas próximas disputas internas. A formalização das alianças e a capacidade dos diretórios estatais de manter coesão serão determinantes para o desfecho nas urnas.