O Partido dos Trabalhadores afirmou neste sábado que não existe negociação entre a União, o Governo do Distrito Federal e o Banco de Brasília (BRB) para que o governo federal conceda aval a uma operação envolvendo a instituição. Em nota, a legenda sustentou que a posição do Executivo federal permanece inalterada: não há possibilidade de a União assumir a garantia, por motivos que não dependem de acordos políticos.

O partido lista dois impedimentos objetivos: a origem criminal do problema que envolve o BRB e a deterioração da capacidade de pagamento do ente que solicita a garantia. O PT também criticou a tentativa de o GDF buscar a solução pela via judicial, argumentando que isso transferiria ao contribuinte brasileiro um risco que, na avaliação do partido, não cabe à União. Segundo a nota, bancos privados já recusaram a operação diante da ausência de relatórios confiáveis sobre a situação financeira do banco.

A legenda exige a publicação de um balanço completo e auditado do BRB para dimensionar passivos, ativos, liquidez e situação patrimonial, citando ainda investigação que levou à prisão do ex-presidente do banco por decisão do Supremo Tribunal Federal e a suspeita de R$ 146,5 milhões em propina relacionados à compra de carteiras do Banco Master. O PT chama atenção também para cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais sob responsabilidade do BRB e questiona se há liquidez suficiente para devolver esses recursos caso sejam requisitados.

Os números apontados pelo PT incluem a saída de 791,9 mil correntistas em nove meses (queda de 8,1%), cuja perda, segundo a legenda, antecedeu declarações presidenciais e está ligada à falta de informações sobre o balanço. Para o partido, a governadora do DF deu justificativas incompatíveis sobre a não divulgação do relatório — ora condicionando-a a um empréstimo, ora afirmando autonomia técnica do banco —, o que amplia dúvidas e pressiona por transparência. Politicamente, a exigência por documentação auditada e a ênfase nos riscos fiscais e reputacionais tornam mais difícil qualquer tentativa de envolver a União na operação sem clareza contábil e jurídica.