O primeiro bloco do debate da Band dedicado aos candidatos ao governo da Bahia, realizado na noite de domingo, teve movimento raro: uma dobradinha explícita entre Ronaldo Mansur (PSol) e o governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) mirando ACM Neto (União Brasil). Mansur trouxe à tona uma fala de 2005 em que o então deputado ACM Neto disse defender “dar uma surra” em Lula, para cobrar qual seria hoje a posição do candidato oposicionista em eleições nacionais.
ACM Neto respondeu reclamando da situação da saúde e da segurança pública no estado, e disse apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) em âmbito nacional. Jerônimo rebateu destacando medidas do seu governo e a continuidade de políticas públicas dos 20 anos de administrações vinculadas ao PT na Bahia. O tom do confronto foi marcado pela tentativa da oposição de neutralizar a narrativa de outsider de Neto e forçá‑lo a explicitar compromissos locais e nacionais.
Do ponto de vista político, a cena acende alerta para a estratégia de ACM Neto: ao ser colocado contra a parede sobre declarações antigas e compelido a expor apoios nacionais, ele perde espaço para discutir propostas concretas no eleitorado estadual. A tática de Mansur e Jerônimo também visa reforçar um enquadramento que transforma críticas generalistas em questões concretas de gestão — saúde e segurança — áreas que impactam diretamente a percepção do eleitor.
O desfecho do episódio tende a compor o tom da campanha na Bahia nas próximas semanas: se Neto mantiver a ênfase na crítica e nas referências nacionais, permanecerá vulnerável ao enquadramento do bloco governista; se buscar deslocar o debate para propostas e provas de resultado, terá de apresentar respostas detalhadas e mensuráveis. Para o PT e o PSol, a dobradinha funciona como instrumento de desgaste e pressão para obrigar clarificações e retirar espaço da agenda oposicionista.