O Partido dos Trabalhadores celebrou na segunda-feira o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico, quando apresentou uma carta-programa destinada a ampliar o diálogo com fiéis e a construir propostas para as eleições de 2026. O documento e os debates reuniram lideranças políticas e religiosas de mais de 20 estados, com ênfase em defesa da democracia, justiça social e garantia da liberdade religiosa como contrapartida ao uso instrumental da fé.
A “Carta do IV Encontro” rejeita a visão de que os evangélicos formam um bloco homogêneo e critica a exploração eleitoral e econômica da religião. Entre as diretrizes estão a ampliação de políticas de saúde integral para mulheres, apoio à agricultura familiar, programas de emprego para jovens e a defesa de direitos trabalhistas, além do compromisso com o Estado laico e ações contra desinformação. A iniciativa busca transformar interlocução religiosa em agenda programática.
A primeira-dama participou de painel sobre mulheres evangélicas e respondeu publicamente a ataques do pastor Silas Malafaia, defendendo a legitimidade do diálogo com fiéis e a escuta de distintas vozes dentro do segmento. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que a aproximação pretende identificar pontos de convergência entre valores religiosos e políticas de inclusão, sem abrir mão da laicidade. O encontro também contou com a presença de parlamentares de diferentes filas políticas.
Politicamente, o movimento indica que o PT quer disputar espaço em um dos grupos mais influentes do eleitorado — estratégia com potencial de ganho, mas também de risco. Converter conversa em voto exigirá conciliar uma agenda social progressista com sensibilidades conservadoras, sem alimentar narrativas de instrumentalização religiosa. A reação de líderes conservadores mostra que o partido terá de equilibrar ampliação de base e manutenção de compromissos institucionais, num cenário que tende a ganhar relevância para 2026.