O PT confirmou neste sábado, em convenção realizada em Campinas, a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, com o ex-ministro Márcio França (PSB) como candidato a vice. A legenda também oficializou 90 nomes para a Assembleia Legislativa e 56 candidatos a deputado federal; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do evento. Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda em março para cumprir o prazo de desincompatibilização, disputa pela segunda vez o Palácio dos Bandeirantes — em 2022 foi derrotado no segundo turno por Tarcísio de Freitas.
A escolha reafirma a aposta do PT em um nome já testado no eleitorado paulista e tematiza a disputa como um dos principais capítulos da batalha nacional por 2026. A presença de Lula na convenção tende a nacionalizar a campanha e a reforçar a conexão entre a estratégia estadual e o governo federal; ao mesmo tempo, essa vinculação pode expor Haddad às críticas dirigidas ao Executivo, transformando sua candidatura em termômetro da avaliação do governo entre eleitores paulistas.
A inclusão de Márcio França na chapa indica esforço de ampliação de frente política e tentativa de agregar eleitorados fora do núcleo petista, sem, porém, alterar a imagem de repetição — repetir um nome que já perdeu no último pleito tem custo político e exige uma guinada estratégica para virar o jogo contra o atual ocupante do cargo. A formalização de bancadas ampla sugere musculatura organizacional, mas não elimina o desafio histórico do PT em converter esse arranjo em votos decisivos no estado.
Para o PT, o que está em jogo é mais do que a recuperação de um governo estadual: é a capacidade de traduzir apoio nacional em vantagem local, remodelar a narrativa após a derrota anterior e evitar que a disputa se transforme num referendo sobre o próprio governo federal. Do ponto de vista oposicionista, trata-se de um alvo claro a ser explorado; para eleitores e mercados, a corrida em São Paulo continuará a ser leitura atenta sobre rumo político e fiscal do país.