A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda projeta um segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e expõe um recorte eleitoral que virou prioridade no palácio do Planalto: 42% dos entrevistados na espontânea não apontam candidato. No levantamento, Lula aparece com 28% na espontânea e 36% na estimulada, números que ajudam a explicar a nova orientação da comunicação petista.
Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, o partido pretende buscar esses eleitores por meio de comparações diretas entre o governo de Lula e o período associado aos Bolsonaros, destacando propostas e trajetórias. A estratégia é converter o amplo universo de indecisos em vantagem prática, transformando um espaço de incerteza em disputa definida pelo contraste entre as narrativas concorrentes.
O movimento, contudo, não se dá em ambiente neutro. A agenda do dia tem sido contaminada pela crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal, envolvendo investigações sobre fraudes e o ex-sócio do Banco Master. A orientação interna do PT é de evitar tratar publicamente do episódio e reduzir contatos formais com magistrados — postura que já se reflete nas declarações do presidente, restritas a pautas como reforma do Judiciário e críticas a supostos vazamentos seletivos.
O quadro abre duas frentes de risco e oportunidade. Por um lado, os 42% de indecisos acendem alerta para a campanha: transformar esse contingente exige recursos, mensagem clara e velocidade. Por outro, a disputa sobre o enquadramento do tema judicial oferece terreno à oposição para atrelamentos políticos que podem complicar a narrativa oficial. Em suma, a eleição seguirá definida por quem conseguir operar melhor a janela estreita dos indecisos, enquanto o STF permanece variável capaz de aumentar a volatilidade do cenário.