O PT oficializou neste domingo (2/8), no Expo Center Norte, em São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Aos 80 anos, Lula busca o quarto mandato — que, em caso de vitória, elevaria seu tempo no Palácio do Planalto para 16 anos. A convenção marca o início formal da campanha e a tentativa do partido de transformar administração em argumento central para 2026.

A candidatura repete a chapa de 2022, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente na cabeça de chapa. Antigo adversário, Alckmin assumiu papel institucional relevante ao acumular a pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e atuar como interlocutor do Executivo com o setor produtivo. A formalização contou com uma frente ampla: PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede, além das federações Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e PSOL/Rede.

No campo da oposição, o principal adversário identificado até o momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ainda não anunciou composição de alianças nacionais. O calendário eleitoral pressiona decisões: partidos têm até 5 de agosto para realizar convenções, o registro de candidaturas vence em 15 de agosto e a campanha começa em 16. A formalização petista força rivais a acelerar costuras políticas e estratégias.

Politicamente, a oficialização acende alerta sobre dificuldades concretas. A campanha terá de conciliar a defesa do legado com ações explícitas para reduzir a rejeição ao PT e responder às críticas sobre a condução da economia e das contas públicas. Gerir uma frente partidária extensa também impõe custos e negociações que podem cobrar preço político. Até o registro na Justiça Eleitoral, a disputa será marcada pela necessidade de transformar coalizão e narrativa em vantagem eleitoral sem abrir mão de mensagens de responsabilidade fiscal e de governabilidade.