O PT transformou o episódio do Banco Master em arma política. Nesta sexta, o secretário de Comunicação, Éden Valadares, afirmou que o pronunciamento do presidente Lula “recompõe a verdade” sobre o caso e reforça, para o partido, a diferença entre a postura do chefe do Executivo e a do senador Flávio Bolsonaro. A fala ocorre pouco depois de aliados do governo associaram a expansão do Master à gestão Bolsonaro.

Na leitura do PT, o escândalo não é episódio isolado: Éden afirmou que o esquema teria nascido no governo de Jair Bolsonaro e que foi a gestão de Lula a tomar medidas — com prisão do banqueiro e fechamento da instituição. O dirigente também citou as estimativas sobre desvios, usando o número de R$ 60 bilhões para questionar a versão de que recursos entregues a Flávio seriam apenas privados.

O partido voltou a cobrar esclarecimentos de Flávio Bolsonaro sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro e a suposta participação no financiamento do filme Dark Horse. Segundo Éden, o senador não apresentou contratos nem permitiu o acesso a sigilos bancários que poderiam esclarecer os repasses, postura que o PT usa para marcar diferença de transparência entre as candidaturas.

Politicamente, o episódio dá ao PT munição para construir um contraste nítido nas campanhas: Lula seria a alternativa com experiência e capacidade de investigação, Flávio, uma aposta de risco. A estratégia busca explorar o caso como fator de desgaste para o rival, forçando o PL a dar explicações públicas e a lidar com risco reputacional enquanto a disputa por 2026 esquentar.