O Partido dos Trabalhadores apresentou nesta quarta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral pedido de investigação contra os candidatos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. A legenda afirma que ambos teriam articulado — junto a interlocutores nos Estados Unidos — apoio do ex-presidente americano Donald Trump para fortalecer a candidatura do filho de Jair Bolsonaro. A ação aponta possíveis crimes eleitorais, incluindo abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer apurar, segundo seus advogados, a origem dos recursos empregados nessas articulações, a atuação de agentes estrangeiros e eventuais benefícios eleitorais decorrentes das iniciativas. O coordenador jurídico da campanha enfatizou que eleição soberana exige clareza sobre quem financia e promove ações destinadas a influenciar eleitores brasileiros, e por isso requereu investigação e transparência.
Além do TSE, o pedido foi enviado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, com pedido de medidas urgentes para apurar episódios de interferência externa. O documento lembra ainda que, no ano passado, Dino afirmou que leis e decisões estrangeiras não se aplicam no Brasil, posicionamento adotado após a aplicação da chamada Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes — elemento que reforça o quadro jurídico em discussão.
Politicamente, a medida do PT acende alerta para o campo bolsonarista: além do desgaste reputacional, a denúncia pode ampliar pressão sobre a campanha e obrigar o PL a esclarecer recursos e contatos internacionais. No plano institucional, a petição força o Judiciário a posicionar-se em relação ao alcance de influências externas nas disputas nacionais. Trata‑se, por ora, de um retrato do momento — cabe às autoridades competentes verificar as alegações e transformar suspeitas em provas, ou descartá‑las com base em apuração técnica.