Deputados do PT apresentaram ao Supremo Tribunal Federal pedido para a decretação de prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e para que o senador seja incluído em alerta vermelho da Interpol. A iniciativa, assinada por Lindbergh Farias e Rogério Correia e com o apoio de Ana Elisa, foi protocolada logo depois que Flávio deixou o país na madrugada de terça-feira acompanhado da esposa e das duas filhas.

No pedido ao STF, os parlamentares afirmam que o senador descumpriu a determinação de entrega dos passaportes à Polícia Federal e vinculam a saída do país a risco de fuga. Rogério Correia também relacionou a movimentação ao caso do Banco Master e a supostas operações que, segundo ele, teriam ligação com lavagem de dinheiro e à aquisição de uma ilha em Angra dos Reis — acusações que os deputados usam para justificar a urgência da medida e requisitar manifestação imediata da Procuradoria‑Geral da República.

Os autores requerem ainda que a defesa informe o paradeiro do senador e pedem cooperação internacional, citando a Argentina entre os destinos a serem checados. Como alternativas à prisão preventiva, o documento sugere a aplicação de tornozeleira eletrônica de baixo custo, recolhimento domiciliar e comparecimento periódico à Justiça caso Flávio seja localizado em território nacional.

Do ponto de vista prático, o pedido incorpora um componente simbólico e político: acende um alerta e amplia o desgaste da família Bolsonaro ao transformar a saída do país em conflito institucional submetido ao STF e à PGR. Ao mesmo tempo, esbarra em limitações legais importantes. Um alerta vermelho da Interpol não equivale automaticamente a um mandado de prisão, e a legislação dos Estados Unidos impede que alguém seja detido apenas por constar desse tipo de notificação. Se Flávio estiver nos EUA, as autoridades locais só podem avançar com base em pedido de extradição e mediante solicitação diplomática de prisão provisória.

O movimento dos deputados coloca pressão sobre a PGR para que se manifeste com rapidez e cria um novo nó político e jurídico no caso: exige decisões coordenadas entre Justiça, Ministério Público e canais de cooperação internacional, enquanto força a defesa a esclarecer o destino do senador. Para a cena política, a iniciativa do PT complica a narrativa oficial de entrega voluntária de documentos e transforma o episódio em munição contra o clã Bolsonaro nas próximas semanas.