O PT na Câmara protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido para suspender de imediato a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel da União na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, para a WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa dirigida pelo advogado Willer Tomaz. A petição foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (21/10) pelos deputados Pedro Uczai (líder do PT) e Rogério Correia (vice-líder do governo).

A iniciativa acontece no curso do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O pedido do PT se insere também na disputa judicial pela posse da mansão na Ilha Comprida, que envolve o atacante Richarlison e o advogado: em 2020, empresa vinculada ao jogador adquiriu direitos de ocupação, que depois teriam passado para grupo ligado a Willer.

Nos autos, os deputados apontam irregularidades no processo administrativo da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Sustentam que um requerimento foi apresentado 10 dias após a venda à empresa de Willer já ter sido contratada e foi deferido em cerca de dois meses sem parecer técnico, motivação formal ou caracterização do imóvel — enquanto outro pedido da empresa ocupante permaneceu sem solução por anos. O PT também pede explicações sobre origem de recursos, participação das sociedades e eventual influência política sobre decisões da SPU, além da oitiva de testemunhas, incluindo Alencar da Silveira Júnior, o jogador Richarlison, servidores públicos e pessoas vinculadas às empresas envolvidas.

Politicamente, o movimento do PT acende alerta sobre a transparência de processos de transferência de bens públicos e amplia desgaste para os envolvidos no inquérito. A judicialização buscada no STF tende a travar qualquer mudança de titularidade e a pressionar responsabilizações administrativas caso se confirmem falhas procedimentais. Resta agora à Corte avaliar o pedido e determinar se a medida cautelar se impõe para preservar provas e evitar atos que possam dificultar a apuração.