O PT intensificou conversas internas para lançar uma campanha nas redes sociais com o objetivo de pressionar o Senado a acelerar a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. A iniciativa ganhou tração depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que a proposta seguirá o rito legislativo regular, abrindo caminho para análise por outras comissões além da CCJ.

A eventual mobilização busca aumentar o custo político de eventuais atrasos. Dirigentes petistas avaliam retomar um discurso que coloca o Congresso como obstáculo às medidas reclamadas pela população, estratégia já usada na Câmara. No Planalto, a pressa é explicada pela meta de ter a proposta promulgada em junho para viabilizar a redução da jornada de 44 para 42 horas até setembro, antes do primeiro turno das eleições municipais.

A decisão de Alcolumbre expõe a fragilidade da agenda do governo no Senado. A relação desgastada entre o presidente da Casa e a liderança petista, e o histórico recente de embates em votações estratégicas, reduzem a previsibilidade do processo. A ampliação do rito legislativo pode transformar um caminho rápido em sequência de debates e pareceres, exigindo mais negociação e cedências da base governista.

O desfecho depende agora do ritmo das comissões e da capacidade do PT de traduzir apoio virtual em pressão institucional. Se o objetivo for manter o calendário desejado pelo Executivo, será preciso negociar com presidentes de comissão e eventuais obstáculos regimentais. Caso contrário, o governo corre o risco de ver a medida perder fôlego e virar fator de desgaste político na reta para as eleições municipais.