Os líderes do PT no Congresso anunciaram a apresentação de um requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa, articulada pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC) e pelo senador Camilo Santana (PT-CE), leva ao Legislativo apurações já em curso no Supremo Tribunal Federal e, na avaliação do partido, busca esclarecer vínculos do parlamentar com o Banco Master e com o escândalo de descontos indevidos no INSS.
O requerimento adota como objetos determinados os próprios temas das investigações judiciais: dois inquéritos no STF que citam Flávio em contextos diferentes. No primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, apura-se pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, que trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse inquérito tem linhas de investigação sobre possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, e inclui apurações sobre eventual beneficiário de parte dos valores repassados.
O segundo inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes e tornado público no fim de semana, envolve suspeitas de lavagem de dinheiro em plataformas de apostas esportivas, com participação do advogado Willer Tomaz e empresas a ele ligadas. A Polícia Federal aponta Flávio como “usuário master” de uma conta bancária de uma offshore atribuída a Willer em Portugal e identificou pagamentos que teriam custeado viagens de jatinho vinculadas ao parlamentar. Willer Tomaz também figura em investigações relacionadas ao esquema do INSS citado no requerimento da CPMI.
Do ponto de vista político, a proposta do PT acende alerta para o entorno de Flávio e do PL: ao transferir a disputa para o plenário, a CPMI amplia desgaste e amplia a exposição pública dos relatos e documentos que correm no Judiciário. A iniciativa dificulta a gestão de narrativa pelos aliados e pode forçar respostas e convocações formais, mesmo sem substituir o trabalho do STF. Para o campo governista, o desafio será sustentar defesa pública sem reforçar a politização das investigações; para a oposição, trata-se de uma ofensiva que pode pressionar por mais transparência e gerar custo político na corrida de 2026. O requerimento será protocolado nos próximos dias e, se aprovado, levará o tema a um debate mais amplo no Congresso.