O Partido dos Trabalhadores formalizou pedidos de investigação à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério Público Eleitoral para apurar os repasses destinados à produção do longa Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sigla sustenta suspeitas de que os recursos vinculados ao Banco Master e a doações de Daniel Vorcaro podem não ter sido integralmente empregados na produção do filme.
Na petição, o PT pediu checagem documental ampla: licenças municipais de filmagem, registro na Ancine, contratos de distribuição, apólice de seguro compatível com uma superprodução internacional, cadeia de direitos autorais, documentação de copyright e a regularidade trabalhista e migratória de profissionais estrangeiros envolvidos, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O partido também apontou indícios de possível desvio de finalidade em emendas parlamentares destinadas a projetos culturais e ONGs.
A movimentação ocorre em prazo sensível: a estreia prevista para setembro coincidiria com a fase final da campanha eleitoral para o primeiro turno. Embora Jair Bolsonaro não concorra em 2026, seu entorno político — incluindo o filho Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL — pode ser afetado politicamente por eventuais achados que indiquem uso de recursos com propósito político-eleitoral. A petição pede que as autoridades afastem ou confirmem essa hipótese.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a apuração sobre possível lavagem de dinheiro relacionada ao filme já tramita na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, com diligências em curso e dependentes de avanços como tratativas de delação envolvendo Daniel Vorcaro. Se as investigações forem abertas formalmente, o caso tende a ampliar o escrutínio sobre financiadores, produtores e sobre a eventual instrumentalização de recursos no período eleitoral, pressionando aliados e exigindo esclarecimentos públicos.