A Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB — protocolou no Tribunal Superior Eleitoral representação contra a plataforma Direita Já, ligada ao PL. O pedido pede investigação sobre a estrutura e o financiamento do site, alegando que ele tem sido usado para difundir conteúdos negativos e potencialmente desinformativos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT, e questiona se houve emprego indevido de recursos do Fundo Partidário.
No documento, a federação descreve a plataforma como um repositório de materiais prontos — vídeos, imagens e textos — disponibilizados a influenciadores e usuários cadastrados, com oferta de até 50 publicações semanais. A ação cita também um chamado Programa Creators, com mais de 200 perfis envolvidos e alcance estimado em dezenas de milhões de visualizações. Parte dessas peças, segundo a representação, reproduz conteúdos já analisados pelo TSE em 2022, incluindo vídeos produzidos com inteligência artificial e deepfakes que foram considerados notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados.
Além de apontar o padrão profissional e o volume das publicações como indício de uma estrutura remunerada, a representação registra elementos que, na visão dos partidos, demandam apuração: a aparição da agência Magic Beans como desenvolvedora do site (apesar de ausência do PL na lista pública de clientes), registro do domínio por meio de serviço internacional de privacidade e 14 anúncios pagos vinculados à plataforma na página oficial do PL no Facebook, que teriam somado R$ 39.897 na plataforma da Meta. A federação solicita ao TSE que determine a apresentação de contratos, notas fiscais e comprovantes, a identificação dos influenciadores e das equipes responsáveis e a origem dos recursos empregados.
Politicamente, a ação acende alerta sobre possíveis consequências para o PL e para o presidenciável ligado ao partido. Se o uso de recursos públicos ficar comprovado, o efeito será duplo: exposição a sanções eleitorais e desgaste eleitoral antecipado, numa agenda que já mira 2026. O pedido de suspensão de conteúdos reconhecidos pelo TSE como desinformação também coloca pressão imediata sobre a plataforma. A tramitação no tribunal deverá exigir transparência documental e pode influenciar o debate público sobre limites entre ativismo digital, impulsionamento e financiamento partidário.