O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, reagiu neste sábado (11/7) à carta do ex-presidente Jair Bolsonaro lida pelo filho Flávio e veiculada nas redes sociais. Para Valadares, o apelo à unidade política não responde às dúvidas centrais sobre a relação financeira entre Flávio Bolsonaro e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, especialmente no que diz respeito ao financiamento do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
O episódio se insere em um fio já conhecido: reportagem do The Intercept Brasil afirmou que Flávio teria pedido R$ 61 milhões a Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, com repasses apontados entre fevereiro e maio de 2025 e transferência para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. Em maio, Flávio prometeu uma prestação de contas; para o PT, a carta pública não substitui a apresentação de um contrato que demonstre tratar‑se de uma relação estritamente comercial.
Na avaliação do partido governista, a ausência desse documento mantém vivo o questionamento sobre a natureza das operações e sobre o destino efetivo dos recursos do Master. A crítica é construída no terreno político: sem comprovação contratual, a narrativa de uma transação comercial tende a perder força e abre espaço para alegações de proximidade ou favorecimento que podem desgastar eleitoralmente o presidenciável do PL.
Politicamente, a exigência do PT transforma a controvérsia em tema de pressão sobre a campanha de Flávio e sobre aliados que tentam reconstruir a narrativa do episódio. Além do custo reputacional, a falta de transparência mantém em evidência a necessidade de esclarecimentos formais — prestação de contas, documentos e eventuais investigações — para encerrar o caso no campo público e jurídico.