O líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), articula a apresentação de uma emenda à PEC da Segurança para reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. A iniciativa, porém, esbarra em resistência dentro do próprio partido: senadores ouvidos dizem temer que a inclusão do tema atrase a tramitação e comprometa o calendário que o governo tenta acelerar.

A preocupação central da ala contrária é prática: se a PEC for alterada no Senado para incorporar a redução da maioridade, o texto terá de voltar à Câmara dos Deputados, postergando a promulgação. O Executivo quer votação rápida — o plenário aprovou um calendário especial que permite os dois turnos no mesmo dia — e vê na proposta de Santana o risco de jogar a decisão para depois das eleições, cenário que o governo procura evitar.

Do outro lado do espectro, a oposição tentou elevar a tensão ao apresentar emenda propondo redução para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo. Parlamentares da oposição admitem tentar incluir o tema por destaque se a emenda for rejeitada. Pesquisa citada em reportagens mostra forte apoio popular à redução, um dado que alimenta o embate político, mas que não elimina o custo institucional de reabrir a tramitação.

O impasse expõe uma contradição estratégica para o PT e para o governo: acomodar setores do partido que querem responder à opinião pública pode custar a agilidade que o Planalto busca, enquanto recusar a emenda abre espaço para a oposição pressionar com propostas mais duras. Resta ao relator e à coordenação do governo decidir entre preservar o calendário e enfrentar desgaste interno ou aceitar o risco do novo texto e transferir a conta política para depois da eleição.